Meme: A Origem

 

IMG_3727Eles estão presentes em nosso dia-a-dia. Nos habituamos a criar, entender e compartilhar mensagens simples ou complexas através deles, atualmente associadas ao humor, crítica e ironia. O fato interessante é que a concepção do termo “meme” foi (e ainda é) objeto de estudos teóricos e complexos sobre nós, seres humanos.

O termo foi criado pelo biólogo britânico Richard Dawkins e publicado no livro clássico da Biologia, “O Gene Egoísta” (1976). Quase no final do livro, Dawkins, durante a discussão sobre a questão da molécula de DNA como unidade replicadora de informações, nos apresenta pela primeira vez essa possibilidade. O trecho é incrível e por isso o transcrevo aqui na íntegra:

Mas temos que ir para mundos distantes a fim de encontrar outros tipos de replicadores e outros resultantes de evolução? Acho que um novo tipo de replicador recentemente surgiu neste próprio planeta. Ele está nos encarando de frente. Ainda está em sua infância, vagueando desajeitadamente num caldo primordial, mas já está conseguindo uma mudança evolutiva a uma velocidade que deixa o velho gene muito atrás.

Lindo, não? Mas o melhor está por vir…

O novo caldo é a cultura humana. Precisamos de um nome para o novo replicador, um substantivo que transmita a ideia de uma unidade de transmissão cultural, ou uma unidade de imitação. “Mimeme” provém de uma raiz grega adequada, mas quero um monossílabo que soe um pouco como “gene”. Espero que meus amigos helenistas me perdoem se eu abreviar mimeme para meme. Se servir como consolo, pode-se alternativamente, pensar que a palavra está associada à memória, ou à palavra francesa même.

Dawkins continua, inserindo o novo termo na sociedade (da década de 1970):

Exemplos de memes são melodias, ideias, slogans, modas de vestuário, manias de fazer potes ou de construir arcos. Da mesma forma como os genes se propagam no “fundo”, pulando de corpo para corpo através dos espermatozoides ou dos óvulos, da mesma maneira os memes propagam-se no fundo, pulando de cérebro em cérebro por meio de um processo que pode ser chamado, no sentido amplo, de imitação.

A seguir cita um resumo de seu colega N.K. Humphrey sobre o assunto:

Os memes devem ser considerados como estruturas vivas, não apenas metafórica mas tecnicamente. Quando você planta um meme fértil em minha mente, você literalmente parasita meu cérebro, transformando-o num veículo para a propagação do meme, exatamente como um vírus pode parasitar o mecanismo genético de uma célula hospedeira.

Obviamente, ao analisar o meme nos dias de hoje é perceptível uma simplificação dos memes enquanto objeto, em grande parte restrito às mídias sociais e internet, mas sua forma de ação é exatamente igual à descrição de Dawkins apresentada acima. A pergunta que fica é a seguinte: Se assumir que os memes atuam como vírus, estes podem sofrer mutações e influências da Seleção Natural. Sendo assim, qual será a próxima epidemia mêmica e como ela impactará a vida dos seus hospedeiros mais ilustres, os seres humanos?


Quer ler o livro na íntegra? Eis a ficha completa:

Richard Dawkins. O Gene Egoísta. São Paulo: Cia. das Letras, 544 p. 2007

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